As Aventuras de Pi

Um filme emocionante, do diretor Ang Lee

, por Francisco Carbone

As Aventuras de Pi

Um filme emocionante, do diretor Ang Lee

, por Francisco Carbone

Yann Martel escreveu uma parábola sobre a fé e o poder de ‘acreditar’. Inspirado no romance de Moacyr Scliar ‘Max e os Felinos’, Martel foi acusado de plágio por tanta gente que se viu obrigado a assumir uma ‘inspiração’ para evitar processos e maiores escândalos. O fato é que seu livro arrebatou todos os maiores prêmios literários internacionais da época, e virou uma obsessão em Hollywood. Muitos foram cogitados para a adaptação, e após o estrondoso sucesso de ‘Quem quer ser um Milionário?’, a Índia virou um hit; o grande Ang Lee abraçou o projeto e nos entrega sua nova produção, mais uma vez milionária e merecedora/indicada a prêmios, como já tinham sido ‘Razão e Sensibilidade’, ‘O Tigre e o Dragão’ e ‘Brokeback Mountain’.

As Aventuras de Pi

A delicadeza da trama se une a delicadeza do próprio Lee, que injeta vida a muita coisa que na telona é apenas ‘pixel’. A história mostra o jovem Pi Patel, que já sabia o que era ‘bullying’ há muitos anos atrás em Nova Deli por causa do bizarro nome que seu pai lhe deu. Homem excêntrico, ele encampou um zoológico e colocou a família para morar nele, sem saber que no futuro uma crise financeira o obrigaria a se mudar para o Canadá com toda a família; ao ler ‘família’, entendam além de Pi, sua mãe e irmãos, também todos os animais do zoo, transportados num navio cargueiro. É aí que começa a tragédia, com o naufrágio do mesmo tendo Pi como único sobrevivente… humano. Num bote ficam ele, uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre de bengala. Como essa turma irá se virar? Como podem sobreviver num bote cinco espécies diferentes, todas lutando para sobreviver?

Lógico que não irei estragar o prazer de ninguém que não tenha lido o livro de Martel, mas fica meio claro que poucos restarão com vida no meio do oceano. E quem restar terá de se unir para continuar vivo. Todas as belas metáforas sobre a busca pela fé e os caminhos da imaginação que Martel incutiu em seu livro estão preservadas na (literalmente) bela adaptação de Lee, que soube criar o espetáculo visual mais singular do ano. Com a fotografia estonteante de Claudio Miranda dando o tom geral, o filme que é bem longo nunca cansa, chateia ou aborrece, com uma história que a primeira vista tinha tudo para render no máximo um curta metragem. O talento de Lee e seus comandados rende um belo filme, que deve e merece fazer bonito entre os indicados ao Oscar desse ano.

As Aventuras de Pi

Mas se o visual do filme é sua alma, e a ideia do poder da imaginação o corpo robusto e muito bem conduzido, o coração dessas “aventuras” atende pelo nome de Irfan Khan. É através de suas memórias que Pi ganha forma e sua mensagem, força. Tente desfazer o nó na garganta ao ouvir Khan falar pela última vez de Richard Parker. Quem é Parker? Corra aos cinemas para descobrir e se emocionar com essa bela produção.

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