Gaga no Rio é choque de little monster!

A Mother Monster passou pelo Rio e ficou marcada para sempre. Nós também, Gaga!

, por Thiago Arzakom

Gaga no Rio é choque de little monster!

A Mother Monster passou pelo Rio e ficou marcada para sempre. Nós também, Gaga!

, por Thiago Arzakom

Assim que Lady Gaga chegou ao Rio, quarta-feira (07/11), acompanhei os passos da cantora através da internet e tive a ideia de fazer um post no fim de tudo. Tolice minha achar que escreveria tão facilmente sobre a artista que mais admiro no mundo da música. Depois do show, na sexta-feira, demorei para organizar as ideias (e acho que não consegui) e, algum tempo depois, eis minha visão de tudo.

De blue jeans, Gaga chegou distribuindo amor. Era coraçãozinho pra cá, elogios pra lá e muita pizza, batata frita, hambúrguer e flores para os fãs mais dedicados. Eu só me dei conta que ela estava realmente aqui quando postou um tweet reclamando da lentidão da internet brasileira. Apesar disso, Gaga conseguiu sinal para postar um vídeo amador no qual divulga cenas do seu passeio na cidade ao som de “Bitch, Don’t Kill My Vibe“.

Quinta, Gaga tirou o dia para se aprofundar nas questões sociais do Rio. Provavelmente a convite da Prefeitura, a Mãe Monstro visitou o morro do Cantagalo e projetos do Criança Esperança. Cantou cercada de crianças, sentou no colchão velho, jogou futebol, posou para fotos, pagou calcinha, andou de moto-taxi e aprendeu a falar “galera”.

Não deu outra: se apaixonou por nós. Disse que o coração ficou em chamas, que foi o melhor dia da vida dela, que jamais vai esquecer o que viveu, etc. Me surpreendi com tamanha abertura. Por diversas vezes me perguntei se algum artista gringo com o nível de popularidade dela já tinha feito isso. Michael Jackson não sentou no chão da favela ou jogou futebol descalço.

O grande dia chegou. Tirando o fato de que Parque dos Atletas não é lugar para se fazer um evento e abstraindo os shows de abertura (boring), valeu a pena cada quilômetro andado sob o sereno. O visual é impressionante: um castelo medieval gigantesco, que se desmonta e remonta, todo iluminado e muito bem aproveitado pela diva e seus dançarinos. O roteiro, se é que assim posso chamar, deixa a desejar. Todo aquele ambiente pra quê? A história é mal contada, se é que é contada. Os figurinos retratam parte das maluquices dos videoclipes de Gaga, desdobrados em 18 looks. Mas o show vai muito além do que se vê.

É na sensibilidade e proximidade do público que Lady Gaga nos cativa. Ela se conecta física e intelectualmente de tal forma, tem um discurso tão convincente, tem uma energia tão irradiante, que não tem como desviar o olhar, os ouvidos, a mente. E assim ela grita, dança, canta (sim, não tem playback – pelo menos na maioria das músicas), chora, se joga, se molha, abraça as pessoas, pede desculpas, reza, conversa e não desafina!

Se é truque, jogada de marketing, fingimento ou atuação, só no fim da minha monografia vou saber (sim, vou escrever sobre ela!). O fato é que Gaga consegue se conectar com cada um que a assiste. Como se não bastasse, mostrou algum conhecimento sobre nós, discursando sobre a situação sociopolítica do Rio: vestiu a camisa (literalmente) das UPPs, disse que somos um lugar de paz, nos chamou de a verdadeira “City of God” (deve ter assistido ao filme Cidade de Deus) e sentenciou “Brazil, you are the future”. Para completar o interesse e amor súbito pelos cariocas, se despediu da cidade com uma tatuagem.

Ela é uma grande artista e representante da nossa era. Engajada em diversas causas e cheia de referências (ou cópias, como queiram), ela consegue se destacar e criar seu próprio personagem. Ou, melhor, a gente consegue criar nossa própria Gaga. A odiada, a plagiadora, a louca, a fashionista, a ativista, a política, a sexy, a boring, a falsa.

A minha é a Lady Gaga Artista, com “A” maiúsculo!

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