Ruby Sparks

Nós assistimos o romance mais verdadeiro do ano: Ruby Sparks.

, por Francisco Carbone

Ruby Sparks

Nós assistimos o romance mais verdadeiro do ano: Ruby Sparks.

, por Francisco Carbone

O amor não foi feito pra ser moldado, pra ser trancafiado, pra ser determinado ou criado. O amor simplesmente é, existe, floresce e dá seus frutos independente das nossas vontades. O amor vem, chega a hora que quer, faz abrigo na gente e nos vira de ponta-cabeça, chacoalhando tudo. Esse é o amor, sentimento desejado e temido, aguardado e não compreendido, mas que é essencial para nossa sanidade.

O mote é esse, o de sempre; a mensagem, claríssima e ainda assim atual e forte. ‘Ruby Sparks’ poderia ser brega, poderia ser uma viagem de ácido, poderia ser chato e até poderia ser mais cômico do que é… preferiu ser verdadeiro. Perderá espectadores a procura de diversão ligeira e descartável, mas ganha aquele tipo de cinema que guardamos pra sempre, que diriam ‘inesquecível’.

A dupla de diretores Jonathan Dayton e Valerie Ferris já tinham nos entregue ‘Pequena Miss Sunshine’ há 6 anos, e nos encantado de maneira indelével com aquela mistura agridoce dos mesmos sentimentos que acompanhamos nesse novo filme. Quando lá víamos uma família disfuncional em busca do amor mútuo, aqui a família foi dispensada (embora exista) e ficou apenas um integrante. Calvin escreveu um livro divisor de águas aos 19 anos de idade, e hoje faz uma década que todos vivem na expectativa de um novo trabalho. O bloqueio criativo de sempre assola o rapaz, junto ao medo de ter tido sorte de principiante. Quando tudo parecia perdido, Calvin começa a transcrever sonhos que vem tendo, protagonizados sempre pela mesma menina desconhecida, mas que no onírico se identifica como sua namorada. E numa manhã aparentemente como outra qualquer, a espevitada Ruby sai dos sonhos e páginas e vira alguém real. Real mesmo, e não uma Luana Piovani da hora; todos veem Ruby. Ela existe. E Calvin aos poucos vai percebendo que ela literalmente é dele, e com isso é só sentar para escrever caso algum ajuste em sua personalidade seja necessário.

A mensagem do filme é a que abre meu texto: quando a gente ama é claro que a gente cuida… mas viva e deixe viver. Amor que é amor significa liberdade, acima de tudo; não há amor quando há prisão, metafórica ou física. Com pequeninos ajustes de roteiro (como uma viagem desnecessária, que apresenta personagens que nada acrescentam), o filme seria tão impressionante quanto o primeiro filme do casal. Do jeito que ficou, é apenas o mais verdadeiro romance do ano.

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